Roberto Rill Bíscaro
Sou duranie. Elogiei o álbum de 2010 do Duran Duran, o
melhor em décadas. Também escrevi sobre a necessidade de se reavaliar o
material do Arcadia, projeto de 3 membros da banda, de 1985, resposta megaglam
ao trabalho mais roqueiro de John Taylor com o Power Station.
Descobri Wild Boys: the story of Duran
Duran (2000), da BBC, em homenagem ao sucesso da turnê norte-americana Pop
Trash. A ideia era mostrar que o grupo continuava vivo no imaginário de muita
gente. Isso significa que a maior parte do material é laudatório, mas, muito
interessante pra duranies e pra quem quer conhecer um pouco o poder quase
beatlemaníaco – em termos de popularidade – do grupo na primeira metade dos 1980’s.
A diluição de electronica alemã; glam rock a la Roxy
Music; disco a la Giorgio Moroder e Donna Summer, fase I Feel Love, com pitadas
da atitude “faça você mesmo” do movimento punk levaram os meninos bonitos da
classe trabalhadora de Birmingham ao zênite do estrelato consumista, embalado e
incentivado pelo tatcherismo yuppiano a la Milton Friedman.
Depois de uns anos 70 recessivos, quem resistia ao então
glamour duranie, de paletós coloridos, em iates? Heterossexuais com maquiagem
pesada, namorando e se casando com modelos e cantando deliciosas melodias pop?
A mulherada se descabelava, os meninos sentiam inveja/ciúmes, chamavam os caras
de “viado”, mas dançavam também!
Todo o descrito é criticável? Muito, quem segue o blog
sabe que não sou fã da dupla Tatcher/Reagan. Mas foi assim que sucedeu.
Meninos, eu vi(vi). Há 30 anos.
No Brasil, também foram grandes, ou alguém não nota o
quanto a batida de Como Eu Quero, do Kid Abelha, deve à de Save a Prayer? Recém
saindo duma cinzenta ditadura, queríamos nos divertir, sermos coloridos e nos
integrarmos à juventude new wave anglo-americana. Criticável? Craro, Creuza!
Mas, foi assim que sucedeu. Meninos eu vi(vi). Há 30 anos.
O documentário fala da adesão ao som funkeado a la
Chic, de início rejeitado pela gravadora, que logo se deu conta do erro de
avaliação, com o estrondoso sucesso do maravilhoso single The Reflex. Fala da
sucessão de vídeos idílicos, da diluição punk extremada de Wild Boys (canção e
clipe). Os punks de plantão que não cuspam, afinal, John Lydon acabou fazendo
comercial de margarina!
A fase da decadência é tratada muito de leve, afinal o
programa é pra celebrá-los. Nada é falado da tentativa de aderir á cultura rave
com certas faixas de Big Thing (1988), fiasco nas paradas pros padrões
duranies. Algo é dito sobre a volta à forma, em 93, com 2 grandes sucessos.
Wild
Boys: the story of Duran Duran traz várias personalidades pop importantes pra
falar bem da banda. Debora Harry, Lou Reed, Nile Rogers e Iggy Pop (onipresente
em qualquer documentário musical!) afirmam que os meninos têm talento e sabem
tocar, não eram apenas uma boy band manipulada. Claro que não, mas essa era uma
pedra que a imprensa musical gostava de atirar neles, porque fugiam do estilo
calça jeans/peito cabeludo á mostra/suor dos roqueiros. Aliás, muito do
envolvimento de alguns membros com drogas e farra é atribuído a querer provar
que eram sérios. Mmmmm....
Pra contrabalançar tanto elogio – muitos merecidos, há
que se reconhecer, mas, sou duranie! – um carinha falando sistematicamente mal.
Que eles eram feios, não sabem tocar, eram bregas etc. Qual o nome do moço?
Quem lembra? Depois de tanta celeb de primeiro escalão da época falando bem dos
meninos, como saber o nome do desconhecido artista gráfico ou sei lá o quê.
Descontados esses poréns – sou duranie, mas não isento
de senso crítico – é um prazer ver Wild Boys.... O estilo blasé calculado de
Nick Rhodes (soltando uma ou 2 farpas discretamente enveneadas, good old Nick!),
a simulação de bom moço “simples” de Simon (claro que Yasmin le Bon e Claudia
Schiffer iam falar bem dele, né?) e o estilo de galã com o pé no chão, de John
Taylor. Basta prestar atenção ao cenário onde cada um gravou as entrevistas e a
gente percebe as personagens.
Inteirinho no You Tube, mas não tem legendas...
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